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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Amazônia Selvagem: Capítulo 10

Capítulo 10: O Verdadeiro Rei da Selva

Esqueça o Leão, o rei da selva é brasileiro! A Onça Pintada possui a mordida mais poderosa entre todos os felinos! Enquanto os outros gatos possuem uma técnica de caça com mordida no pescoço seguida de sufocamento, a Onça possui uma maneira única de caçar: crava os caninos na cabeça da presa quebrando a espinha dorsal ou perfurando o crânio da vítma chegando até o cérebro. Seu padrão amarelo com rosetas pretas é a perfeita camuflagem para andar na floresta onde os fachos de luz em meio a sombra das árvores a tornam praticamente invisível!

Encontrar uma Onça Pintada na natureza é uma experiência única. No começo ficava tão fascinado com os encontros que nem pensava na câmera! A onça sempre olha nos seus olhos e essa é uma visão impossível de esquecer. Outras vezes estava escuro, longe ou o encontro era muito rápido impossibilitando tirar uma foto boa. Após dois anos de Pantanal tive a sorte de me encontrar 36 vezes com o felino, mas só consegui fotografar um indivíduo, e bem de longe.

Então me mudei para a Amazônia com o desejo enorme de fotografar uma Onça na natureza, em especial na Amazônia, já que na floresta é quase impossível o encontro com um felino. A média de Onças do Cristalino é de uma por ano. Sabia que seria difícil, mas preferia pensar que era possível.

Era outubro e estávamos no auge de uma das estações mais secas da Amazônia. Na última manhã dos hóspedes (dois italianos, dois argentinos e um brasileiro) decidi descer o rio com o barco desligado para observar os animais, que não tinham outra opção a não ser vir ao rio para beber água. Foi então que eu vi um socozinho pousado em uma galhada... Chegamos mais próximos e, enquanto os hóspedes tiravam fotos, olhei para o outro lado para procurar outras coisas... Foi então que ouvi: "Ah! Giaguaro..." Olhei para o italiano que apontava para o meio das galhadas!!! Aquele olhar era inconfundível!!! A Onça Pintada estava nos observando!!! Peguei minha câmera!!! A correnteza levava o barco e não havia como parar!!! Só havia uma única janela por onde era possível ver o animal inteiro, e nós já estávamos quase lá!!! Teria uma única chance para fazer a foto!!! Arrumei a câmera em velocidade lenta porque a Onça estava na sombra!!! A minha única chance dependia da Onça ficar parada, assim como eu... Qualquer movimento e a foto ficaria tremida!!! Prendi a respiração e esperei por aquela janela, como uma criança que espera para abrir os presentes no natal!!! Click!


Onça Pintada/ Jaguar
(Panthera onca)

Eu estava muito feliz!!! Não só consegui ver uma Onça na Floresta Amazônica, mas consegui fotografá-la!!! Eu achava que se tornaria cada vez mais corriqueiro, que com o tempo ficaria menos empolgado e avistar uma Onça seria cada vez menos emocionante... Mas hoje eu sei: encontrar uma Onça na natureza é muito especial! E sempre será!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Amazônia Selvagem: Capítulo 9

Capíulo 9: A Hora dos Predadores

Jorge e Amy, guias voluntários, estudam aves de rapina e o maior desejo deles era ver a Harpia. Assim, aproveitamos um dia em que estávamos sem hóspedes para ir à Torre. Chegamos bem cedo mas aves já haviam começado suas atividades... Observamos muitas espécies, mas após as 09h00 o dia começou a esquentar e avistar uma ave era um evento que se tornava cada vez mais raro. Com o aumento da temperatura o ar da superfície começa a esquentar. O ar quente sobe, criando correntes térmicas que levam aves de maiores a grandes alturas, possibilitando uma visão privilegiada da floresta de onde é mais fácil localizar possíveis presas. Essa era a hora que estávamos esperando: A Hora dos Predadores!

O suor escorria por nossos rostos enquanto o Sol cozinhava nossas cabeças. As abelhas, interessadas nos minerais escondidos em cada gota que saía de nossos corpos, eram tantas que funções corriqueiras como respirar se tornava uma atividade quase impossível... Nós já estávamos prontos pra sair... "Harpia! Harpia! Harpia!" Amy apontava o horizonte! Olhei com o binóculo e avistei a mais poderosa águia do mundo! Um gigante cortava o céu com seus 2m de envergadura e suas garras de 13cm! Pousou em uma árvore próxima a torre!!!


Harpia ou Gavião Real/ Harpy Eagle
(Harpia harpyja)

Estávamos estáticos olhando aquela ave magnífica quando um Uiraçu cruza a nossa frente e pousa ao lado da Harpia!!!


Gavião Real falso/ Crested Eagle
(Morphnus guianensis)

Era inacreditável!!! Duas das mais raras aves de rapina do mundo estavam diante de nossos olhos!!! A Harpia havia entrado na área de caça do Uiraçu que veio defender seu território!!! O Uiraçu gritava corajosamente tentando intimidar a Harpia, que majestosamente bateu em retirada! Fantástico!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Amazônia Selvagem: Capítulo 8

Capítulo 8: Todo mundo merece uma segunda chance.



Maitaca de cabeça azul/ Blue headed Parrot
(Pionus menstruus)

Esse é o Cachaça. Ele foi achado no meio da trilha após ter caído do ninho. Estava faminto e chamava pelos pais desesperadamente. Karen e Sandy (duas guias voluntárias) o trouxeram para o Hotel, o alimentaram e o colocaram em sua primeira casa, uma caixa de cachaça (a origem do nome). Caso tivesse sido deixado no local, ele morreria de fome ou seria uma presa fácil para os macacos prego que já estavam por perto.
Durante uma semana Karen e Sandy cuidaram do Cachaça, mas infelizmente ambas tinham que voltar para o Arizona para seus respectivos empregos. Era preciso um voluntário para cuidar do papagaio e eu me ofereci. Então Sebastião e eu construímos uma nova casa pra ele e eu passei a alimentar o Cachaça todos os dias!

Nova casa do Cachaça

Saía com ele para passear e fazíamos exercícios para fortalecer as asas! Comecei balançando o dedo pra cima e pra baixo e ele batia as asas para manter o equilíbrio...Depois passei a jogá-lo para o galho da árvore... Começamos bem próximo do galho e conforme os dias foram passando fui aumentando a distância e, após duas semanas, o Cachaça aprendeu a voar!!!

Cachaça e eu saindo pra passear


Aprendendo a voar!

Então decidimos soltá-lo pra ver se ele era adotado por um grupo de maitacas... Na manhã seguinte ele voltou para receber alimento. Após ficar com o papo cheio saiu para a mata novamente! Voltou no dia seguinte e realizamos o mesmo procedimento. Veio o outro dia e o Cachaça não apareceu... No dia posterior nada do Cachaça... E assim duas semanas se passaram sem nenhum sinal do nosso amigo! Já estava convencido que ele havia virado comida de coruja.
Então, num dia como outro qualquer, estávamos almoçando embaixo de um pé de manga, quando um papagaio pousou acima de nossas cabeças!!!


Cachaça

Era ele!!! O Cachaça!!! Ficou pouco... Logo que ouviu o chamado dos outros papagaios saiu para encontrá-los!!! Ele foi adotado por um grupo de maitacas que o ensinaram onde e como arranjar comida!!! Incrível!!! Ficamos muito contentes por ter conseguido reabilitar o Cachaça e devolvê-lo ao seu habitat natural! Afinal todo mundo merece uma segunda chance.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Amazônia Selvagem: Capítulo 7


Pavãozinho do Pará/ Sunbittern
(Eurypyga helias)


Capítulo 7: O Bendito Pavãozinho do Pará

Quando comecei como guia no Refúgio Ecológico Caiman (http://caiman.com.br/) todos os guias falavam do Pavãozinho do Pará. Ele está na lista da Caiman, mas só foi avistado durante alguns dias na Ponte do Paizinho e depois foi embora sem nunca mais voltar. Pois bem, dois anos se passaram, saí da Caiman e nada de Pavãozinho do Pará.
Eis que um belo dia fui guiar no Cristalino, (http://www.cristalinolodge.com.br/) na Floresta Amazônica. Durante o passeio de barco passa um bicho voando! Ainda meio cabreiro, perguntei a Sebastião, o guia de local: "Era um Pavãozinho do Pará?"Calmamente ele respondeu: "Sim." Fiquei muito agitado! Precisava ver aquele bicho direito... Fizemos a volta com o barco e fomos nos aproximando lentamente!!! Peguei meu binóculo e observei bem a ave!!! Era a hora de fazer um registro!!! Assim que preparei a câmera ele voou... Click! Foi assim que vi e fotografei meu primeiro Pavãozinho do Pará!

Pavãozinho do Pará/ Sunbittern
(Eurypyga helias)


Pavãozinho do Pará/ Sunbittern
(Eurypyga helias)


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Amazônia Selvagem: Capítulo 6



Surucucu Pico de Jaca/ Bushmaster
(Lachesis muta)

Capítulo 6: Cara a cara com a serpente mais temida da Amazônia.

A Surucucu Pico de Jaca é a maior serpente peçonhenta das Américas, podendo atingir 4,5 m de comprimento. O padrão marrom amarelado cortado por diamantes negros é uma excelente camuflagem para essa cobra, que fica no chão da floresta onde há folhas secas iluminadas por pequenos fachos de luz douradas. Tem a injusta reputação de atacar seres humanos e por isso é um animal muito temido.

Estava guiando os alunos da Escola da Amazônia (http://www.escoladaamazonia.org/), e nosso grupo era de 16 adolescentes. Ao chegarmos à Torre o sol já estava laranja e tingindo o horizonte de cor de rosa. A noite foi chegando, as aves se calando e as estrelas começando a aparecer. Fomos envolvidos pela noite enquanto olhávamos a Via Láctea e contávamos histórias sobre as constelações.

Torre de observação de 50m


Por do Sol da Torre

Era hora de voltar. O silêncio na mata era cortado pelos gritos horripilantes do Urutau enquanto andávamos lentamente pela trilha, observando os vaga-lumes cruzando a nossa frente como se fossem estrelas cadentes no meio da floresta.


Urutau/ Common Potoo
(Nyctibius griseus)


Vaga-lume/ Click Beatle

Foi aí que gritaram meu nome! "Fábio! Fábio! Fábio!" Saí correndo passando todas as crianças e quando cheguei vi o guia que estava na frente apontando para o meio da trilha! No momento em que joguei a luz da lanterna naquela direção vi a ponta da cauda de uma cobra que havia acabado de cruzar a nossa frente! "Surucucu! Surucucu!" A cobra parou na beirada da trilha virou a cabeça para a trilha e começou a chacoalhar o rabo entre as folhas secas! Era um sinal de que estávamos próximos demais!


Surucucu Pico de Jaca/ Bushmaster
(Lachesis muta)

E lá estava eu, com 16 adolescentes, frente a frente com a serpente mais temida da Amazônia! Eu parei em frente a cobra e falei com os alunos. "Todos vão passar calmamente! Se alguém correr isso pode assustar a cobra e ela pode atacar! Então vocês virão um por um passando atrás de mim!" A fila começou a andar! O barulho das folhas secas era um lembrete de que devemos respeitar esse animal, mas também demonstrava que ela prefere a defesa ao invés do ataque! Quando o último aluno passou comemoramos o encontro com a Surucucu Pico de Jaca! A Serpente mais temida da Amazônia! Fantástico!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Amazônia Selvagem: Capítulo 5

Capítulo 5: As belezas do rio Cristalino

Pegamos o barco bem cedo, a névoa característica das manhãs amazônicas nos envolvia criando uma atmosfera misteriosa e intrigante. O vento era inexistente fazendo com que a superfície da água ficasse imóvel, formando um espelho perfeito.

Névoa típica das manhãs amazônicas


Espelho d'água

Martins pescadores, biguatingas, arirambas, socós, garças e jacarés eram companheiros constantes durante o passeio.


Garça real/ Capped Heron
(Pilherodius pileatus)


Jacaré Tinga/ Spectacle caiman
(Caiman crocodilus)


Biguatinga/ Anhinga
(Anhinga anhinga)


Martim Pescador pequeno/ Green Kingfisher
(Chloroceryle americana)


Arirambinha bico de agulha/ Rufous tailed jacamar
(Galbula ruficauda)

Foi então que Jaime, o guia de campo, desligou o motor e disse: "Lontra!" procurei o bicho por todos os lados, mas ele havia submergido... Ficamos num silêncio profundo esperando o animal emergir... Nesse momento vi 4 cabeças surgindo bem ao nosso lado! Eram as Ariranhas! Achei estranho porque Jaime é índio e nunca havia visto ele errar antes... De repente, em um galho atrás das ariranhas, ela surgiu!

Lontra/ Neotropical otter
(Lontra longicaudis)


Ariranha/ Giant Otter
(Pteronura brasiliensis)

A Lontrinha mergulhou rapidamente e as Ariranhas seguiram em seu encalço! De tempo em tempo a Lontra subia em um galho para checar suas perseguidoras... As Ariranhas que haviam ficado para trás, começaram a nadar em círculos e a bater na água próxima a margem! Os peixes atordoados viravam presas fáceis!

Ariranhas pescando


Ariranha comendo um cascudo

As ariranhas se revezavam, enquanto uma comia as outras seguiam na perseguição! Saiam da água a todo momento para se esfragar nos troncos e urinar demarcando o território! A Lontra estava tão exausta que não conseguia mais mergulhar e nadava com a cabeça pra fora d'água! Após ficar fora do alcance das Ariranhas parou para pescar! Após comer, subiu o rio deixando as Ariranhas conquistarem seu território! Fantástico!


Lontra exausta


Lontra comendo um trairão

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Amazônia Selvagem: Capítulo 4

Capítulo 4: A Rainha do céu

Entramos na mata em meio à escuridão. Tudo o que se podia ver eram os pequenos feixes de luz de nossas lanternas. As aves começavam a cantoria anunciando o início de um novo dia. Os passos acelerados de Francisco ditavam o ritmo da caminhada, deveríamos chegar ao alto da Torre antes do amanhecer. Ao escalar o último degrau os primeiros raios de Sol surgiam no horizonte revelando a Floresta! A névoa que encobria as árvores adicionava um ar misterioso e mágico aquele momento. É nessa hora que você se depara com a grandiosidade da Amazônia! pra onde quer que você olhe um tapete verde, formado pela copa das árvores, se estende até onde a visão não consegue mais alcançar. É uma visão inesquecível!

Floresta Amazônica


Com o passar do dia a névoa se dissipava revelando brevemente alguns dos habitantes da floresta, antes de envolver a mata novamente. Araras, tucanos, araçaris, anambés e saíras adicionam cores ao espetáculo que é difícil de descrever com palavras... É um sentimento que só se vive quando estamos ali!


Tucano de papo branco/ White throated toucan
(Ramphastos tucanus)



Anacã/ Red fan Parrot
(Deroptyus accipitrinus)


Araracanga no ninho/ Scarlet Macaws in the nest
(Ara macao)


Alma de gato/ Black bellied Cuckko
(Piaya melanogaster)


Araçari mulato/ Curl crested Aracari
(Pteroglossus beauharnaesii)


Foi então que vimos um animal grande pousado em uma árvore distante. Coloquei o telescópio naquela direção e a névoa começou a se dissipar revelando uma cabeça cinza! Meu coração disparou!!! Era Ela!!! A mais poderosa de todas as aves!!! A Rainha do céu!!! O Bicho que eu mais queria ver na Amazônia!!! A Harpia!!! Em 10 segundos a névoa a encobriu novamente, mas foram 10 segundos que fizeram valer a viagem!!! Fantástico!!!

Harpia/ Harpy Eagle
(Harpia harpyja)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Amazônia Selvagem: Capítulo 3

Capítulo 3: O Deserto Verde.

Entrar na Floresta Amazônica pela primeira vez é uma experiência marcante e diferente do que qualquer pessoa possa imaginar. Quando começamos a trilha a umidade era muito grande fazendo com que o ambiente se tornasse abafado. O chão é forrado por uma camada de folhas em diferentes estágios de decomposição. O solo é bastante superficial e é possível ver inúmeras raízes, espalhadas, entrelaçadas umas as outras numa tentativa desesperada de se segurar. As árvores estão literalmente amarradas umas as outras para se manterem em pé. Em algumas espécies enormes raízes, saídas da base do caule, se desenvolveram para dar sustentação, são as raízes tabulares e as raízes escora. As árvores crescem como enormes colunas e suas copas se tocam deixando solitários raios de Sol tocarem o chão da floresta.

mata de terra firme

Mas onde estão os bichos? A primeira impressão que se tem quando se anda na floresta é a de um deserto verde. A vegetação é exuberante, mas é difícil ver um animal. Mas qualquer impressão de vazio é uma ilusão. Após algum tempo caminhando um flash azul iridescente corta a imensidão verde e desaparece... É uma morpho azul! Com as asas fechadas ela se camufla ao ambiente, mas quando voa, uma cor indescritível se revela!!! Fantástico!!!


Morpho Azul/ Blue Morpho

Mais a frente encontramos um grupo de Bugios de mão vermelha se alimentando dos frutos da embaúba!

Bugio de mão vermelha/ Red handed Howler Monkey
(Alouatta belzebul)

Foi então que ouvimos uma gritaria na mata! Galhos quebrando e uma movimentação intensa na copa das árvores!!! Um grupo de Cuxius voavam de galho em galho perseguidos por Macacos Aranha de cara branca! Estavam brigando por comida! Os aranhas estavam defendendo os figos e quebravam galhos jogando na direção dos Cuxius que batiam em retirada! A gritaria era intensa e só acabou quando os Cuxius saíram do nosso campo de visão!


Cuxiu/White nosed bearded Saki Monkey
(Chiropotes aubinasus)

Macaco Aranha de cara branca/ White whiskered Spider Monkey
(Ateles marginatus)

Um dia fantástico!!!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Amazônia Selvagem: Capítulo 2

Capítulo 2: De volta ao contato com a Vida Selvagem!

Acordei bem cedo, e logo que saí do quarto um casal de Araras canindés me davam as boas vindas! Logo depois um bando de araçaris cruzou o céu enquanto duas maitacas de cabeça azul comiam flores ao meu lado! Fiz uma breve caminhada em busca da Harpia. Encontrei o ninho, mas o filhote já havia aprendido a voar e os pais não haviam colocado outro ovo por lá... na volta
ouvi um barulho na mata! Parei e percebi que estava no meio de um bando de Macacos Prego!
Aquela manhã era especial, estar rodeado por tantos animais novamente tinha um significado especial: Estava de volta ao contato com a Vida Selvagem! E tudo isso na cidade de Alta Floresta, antes de chegar ao Cristalino!
De tarde era a hora de pegar a estrada em direção à minha nova casa: A Floresta Amazônica! No caminho vimos Arara Vermelha, Gavião caramujeiro, Coruja buraqueira e outros bichos que me me fizeram relembrar os bons tempos que vivi no Pantanal!
Paramos na beira do Rio e Jorge, o guia responsável pelo meu treinamento, me esperava no barco! Quando desci do carro caí na real: Estava na Borda da Floresta com a maior Biodiversidade do Planeta! É impressionante a grandeza da Amazônia! Você se sente minúsculo diante dela! Quando o barco saiu e nós começamos a entrar na floresta percebi que o sentimento de isolamento é muito grande por aqui. O hotel fica incrustrado no meio de lugar nenhum, mas a Vida Selvagem é fantástica e as possibilidades de aprendizado são enormes! Essa é a grande motivação para continuar.


Arara Canindé/Blue and Yellow Macaw
(Ara ararauna) dando boas vindas


Araçari Castanho/ Chestnut eared Aracari
(Pteroglossus castanotis)


Maitaca da cabeça azul/ Blue headed Parrot
(Pionus menstruus)


Macaco Prego/ Brown Capuchin Monkey
(Cebus apella)


Coruja Buraqueira/Burrowing Owl (Athene cunicularia)


Rio Teles Pires, entrada sudeste da Amazônia

sábado, 29 de maio de 2010

Amazônia Selvagem: Capítulo 1

Capítulo 1: A Decisão

Faz mais ou menos um mês que recebi uma correspondência lá em casa. Era de um hóspede que guiei na Caiman já faz muito tempo. Ele estava fazendo um documentário sobre a ameaça da soja no Pantanal e havia pedido para fazer uma entrevista comigo... Um ano depois o documentário estava pronto e passava em canal aberto na Holanda. Ele havia me mandado o DVD com a versão em Holandês, mas disse que estava preparando a versão em inglês para passar nos EUA. Esse fato contribui muito para minha decisão: Como guia eu sinto que faço a diferença e eu sabia que ainda não estava na hora de parar. Assim, ouvindo muito mais o coração do que a razão, decidi largar tudo em São Paulo e voltar à vida de guia para realizar um sonho: Guiar na Floresta Amazônica!
Minha vinda é cercada de incertezas e inseguranças. Larguei um emprego em uma operadora de turismo onde eu gostava de trabalhar, deixei para trás minha família e meus amigos para trabalhar no Hotel de Selva Cristalino (http://www.cristalinolodge.com.br/?lang=pt), um lugar totalmente isolado, longe de tudo e de todos. Não sei quanto tempo vou ficar, mas sei que é algo que eu preciso fazer!


Hotel de Selva Cristalino
(Foto do site: http://www.cristalinolodge.com.br/?lang=pt)