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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Amazônia Selvagem: Capítulo 4

Capítulo 4: A Rainha do céu

Entramos na mata em meio à escuridão. Tudo o que se podia ver eram os pequenos feixes de luz de nossas lanternas. As aves começavam a cantoria anunciando o início de um novo dia. Os passos acelerados de Francisco ditavam o ritmo da caminhada, deveríamos chegar ao alto da Torre antes do amanhecer. Ao escalar o último degrau os primeiros raios de Sol surgiam no horizonte revelando a Floresta! A névoa que encobria as árvores adicionava um ar misterioso e mágico aquele momento. É nessa hora que você se depara com a grandiosidade da Amazônia! pra onde quer que você olhe um tapete verde, formado pela copa das árvores, se estende até onde a visão não consegue mais alcançar. É uma visão inesquecível!

Floresta Amazônica


Com o passar do dia a névoa se dissipava revelando brevemente alguns dos habitantes da floresta, antes de envolver a mata novamente. Araras, tucanos, araçaris, anambés e saíras adicionam cores ao espetáculo que é difícil de descrever com palavras... É um sentimento que só se vive quando estamos ali!


Tucano de papo branco/ White throated toucan
(Ramphastos tucanus)



Anacã/ Red fan Parrot
(Deroptyus accipitrinus)


Araracanga no ninho/ Scarlet Macaws in the nest
(Ara macao)


Alma de gato/ Black bellied Cuckko
(Piaya melanogaster)


Araçari mulato/ Curl crested Aracari
(Pteroglossus beauharnaesii)


Foi então que vimos um animal grande pousado em uma árvore distante. Coloquei o telescópio naquela direção e a névoa começou a se dissipar revelando uma cabeça cinza! Meu coração disparou!!! Era Ela!!! A mais poderosa de todas as aves!!! A Rainha do céu!!! O Bicho que eu mais queria ver na Amazônia!!! A Harpia!!! Em 10 segundos a névoa a encobriu novamente, mas foram 10 segundos que fizeram valer a viagem!!! Fantástico!!!

Harpia/ Harpy Eagle
(Harpia harpyja)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Amazônia Selvagem: Capítulo 3

Capítulo 3: O Deserto Verde.

Entrar na Floresta Amazônica pela primeira vez é uma experiência marcante e diferente do que qualquer pessoa possa imaginar. Quando começamos a trilha a umidade era muito grande fazendo com que o ambiente se tornasse abafado. O chão é forrado por uma camada de folhas em diferentes estágios de decomposição. O solo é bastante superficial e é possível ver inúmeras raízes, espalhadas, entrelaçadas umas as outras numa tentativa desesperada de se segurar. As árvores estão literalmente amarradas umas as outras para se manterem em pé. Em algumas espécies enormes raízes, saídas da base do caule, se desenvolveram para dar sustentação, são as raízes tabulares e as raízes escora. As árvores crescem como enormes colunas e suas copas se tocam deixando solitários raios de Sol tocarem o chão da floresta.

mata de terra firme

Mas onde estão os bichos? A primeira impressão que se tem quando se anda na floresta é a de um deserto verde. A vegetação é exuberante, mas é difícil ver um animal. Mas qualquer impressão de vazio é uma ilusão. Após algum tempo caminhando um flash azul iridescente corta a imensidão verde e desaparece... É uma morpho azul! Com as asas fechadas ela se camufla ao ambiente, mas quando voa, uma cor indescritível se revela!!! Fantástico!!!


Morpho Azul/ Blue Morpho

Mais a frente encontramos um grupo de Bugios de mão vermelha se alimentando dos frutos da embaúba!

Bugio de mão vermelha/ Red handed Howler Monkey
(Alouatta belzebul)

Foi então que ouvimos uma gritaria na mata! Galhos quebrando e uma movimentação intensa na copa das árvores!!! Um grupo de Cuxius voavam de galho em galho perseguidos por Macacos Aranha de cara branca! Estavam brigando por comida! Os aranhas estavam defendendo os figos e quebravam galhos jogando na direção dos Cuxius que batiam em retirada! A gritaria era intensa e só acabou quando os Cuxius saíram do nosso campo de visão!


Cuxiu/White nosed bearded Saki Monkey
(Chiropotes aubinasus)

Macaco Aranha de cara branca/ White whiskered Spider Monkey
(Ateles marginatus)

Um dia fantástico!!!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Amazônia Selvagem: Capítulo 2

Capítulo 2: De volta ao contato com a Vida Selvagem!

Acordei bem cedo, e logo que saí do quarto um casal de Araras canindés me davam as boas vindas! Logo depois um bando de araçaris cruzou o céu enquanto duas maitacas de cabeça azul comiam flores ao meu lado! Fiz uma breve caminhada em busca da Harpia. Encontrei o ninho, mas o filhote já havia aprendido a voar e os pais não haviam colocado outro ovo por lá... na volta
ouvi um barulho na mata! Parei e percebi que estava no meio de um bando de Macacos Prego!
Aquela manhã era especial, estar rodeado por tantos animais novamente tinha um significado especial: Estava de volta ao contato com a Vida Selvagem! E tudo isso na cidade de Alta Floresta, antes de chegar ao Cristalino!
De tarde era a hora de pegar a estrada em direção à minha nova casa: A Floresta Amazônica! No caminho vimos Arara Vermelha, Gavião caramujeiro, Coruja buraqueira e outros bichos que me me fizeram relembrar os bons tempos que vivi no Pantanal!
Paramos na beira do Rio e Jorge, o guia responsável pelo meu treinamento, me esperava no barco! Quando desci do carro caí na real: Estava na Borda da Floresta com a maior Biodiversidade do Planeta! É impressionante a grandeza da Amazônia! Você se sente minúsculo diante dela! Quando o barco saiu e nós começamos a entrar na floresta percebi que o sentimento de isolamento é muito grande por aqui. O hotel fica incrustrado no meio de lugar nenhum, mas a Vida Selvagem é fantástica e as possibilidades de aprendizado são enormes! Essa é a grande motivação para continuar.


Arara Canindé/Blue and Yellow Macaw
(Ara ararauna) dando boas vindas


Araçari Castanho/ Chestnut eared Aracari
(Pteroglossus castanotis)


Maitaca da cabeça azul/ Blue headed Parrot
(Pionus menstruus)


Macaco Prego/ Brown Capuchin Monkey
(Cebus apella)


Coruja Buraqueira/Burrowing Owl (Athene cunicularia)


Rio Teles Pires, entrada sudeste da Amazônia

sábado, 29 de maio de 2010

Amazônia Selvagem: Capítulo 1

Capítulo 1: A Decisão

Faz mais ou menos um mês que recebi uma correspondência lá em casa. Era de um hóspede que guiei na Caiman já faz muito tempo. Ele estava fazendo um documentário sobre a ameaça da soja no Pantanal e havia pedido para fazer uma entrevista comigo... Um ano depois o documentário estava pronto e passava em canal aberto na Holanda. Ele havia me mandado o DVD com a versão em Holandês, mas disse que estava preparando a versão em inglês para passar nos EUA. Esse fato contribui muito para minha decisão: Como guia eu sinto que faço a diferença e eu sabia que ainda não estava na hora de parar. Assim, ouvindo muito mais o coração do que a razão, decidi largar tudo em São Paulo e voltar à vida de guia para realizar um sonho: Guiar na Floresta Amazônica!
Minha vinda é cercada de incertezas e inseguranças. Larguei um emprego em uma operadora de turismo onde eu gostava de trabalhar, deixei para trás minha família e meus amigos para trabalhar no Hotel de Selva Cristalino (http://www.cristalinolodge.com.br/?lang=pt), um lugar totalmente isolado, longe de tudo e de todos. Não sei quanto tempo vou ficar, mas sei que é algo que eu preciso fazer!


Hotel de Selva Cristalino
(Foto do site: http://www.cristalinolodge.com.br/?lang=pt)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

África Selvagem: Capítulo 20


Capítulo 20: Um lugar único no mundo.

A África é muito mais do que qualquer pessoa pode imaginar! É um lugar que todos deveriam conhecer. Estar junto com todos esses animais é uma sensação incrível, faz você se sentir parte da natureza novamente e desperta uma vontade gigantesca de cuidar do que ainda nos resta para que esses encontros com a vida selvagem continuem ocorrendo.
Saio deixando muitas saudades e levando lembranças inesquecíveis. Tenho a certeza de que um dia voltarei, porque uma viagem é muito pouco pra tudo o que a África tem a oferecer. Foi extraordinário!

terça-feira, 9 de março de 2010

África Selvagem: Capítulo 19

Capítulo 19: Rastreando o Rinoceronte Branco

A metralhadora nas mãos do guarda do parque nacional era o aviso: Era uma caminhada perigosa! Na estação das chuvas o capim fica alto e é quase impossível ver um animal, mesmo que esteja bem a sua frente! Andar na savana africana é uma experiência incrível! Qualquer coisa pode ser perigosamente letal, seus sentidos ficam aguçados. A audição e o olfato são tão importantes quanto a visão para perceber o ambiente que está a sua volta!
Estávamos em busca do Rinoceronte Branco! A tensão era muito grande e cada passo era dado com muita cautela! Andávamos sempre em fila e próximos uns dos outros para parecer um único corpo aos olhos do Rinoceronte, que não possui uma visão muito apurada... De repente o guarda parou! Fez sinal para todos fazerem silêncio! O Rinoceronte estava perto! A cada passo, meu coração batia mais forte enquanto nos aproximávamos tentando fazer silêncio ao pisar no chão cheio de galhos secos! O Guarda fez sinal para pararmos! E de trás dos arbustos Ele surgiu!


Rinoceronte Branco (Ceratotherium simum)

Rinoceronte Branco (Ceratotherium simum)

Rinoceronte Branco (Ceratotherium simum)

Rinoceronte Branco (Ceratotherium simum)

Rinoceronte Branco (Ceratotherium simum)

Um Gigante de mais de 3 toneladas a menos de 10 m de distância! Todos ficaram paralisados até que o guia fez um sinal que significava que estava tudo certo e que podíamos tirar fotos! Foi uma experiência fantástica!
De tarde saímos para um cruzeiro no rio Zambezi. Foi o por do sol mais bonito que vimos na África e a maneira perfeita de encerrar a melhor viagem da minha vida... Até hoje!

Cruzeiro no rio Zambezi

Egyptian gooses, Sacred Ibis, White faced ducks

Hipopótamo (Hippopotamus amphibius)

Bushbuck (Tragelaphus scriptus)

Malachiye Kingfisher (Alcedo cristata)

Por do Sol no Rio Zambezi

segunda-feira, 8 de março de 2010

África Selvagem: Capítulo 18


Capítulo 18: Victoria Falls, uma das Sete maravilhas naturais do Mundo

Antes mesmo de chegar nas Victoria Falls é possível ver o spray d'água a quilômetros de distância! A força da água é impressionante! O ponto mais alto das cataratas é de 180 m, mas a água bate com uma força tão grande no fundo que volta em forma de tempestade molhando os turistas abalados com tanta beleza! É impossível ter uma visão completa das cataratas pelo chão já que a água bloqueia parte dos 7 Km de largura das Victoria Fallls! Com a luz do sol a experiência é ainda mais espetacular, quando os arco-íris pulam à frente dos seus olhos! É fantástico! Nosso guia era muito engraçado! Ele pegou a câmera do meu pai e ficou tirando fotos nossas até o final do passeio! E ele era super exigente! Pedia para a gente andar até a luz e fazia a gente mudar de posição para um enquadramento melhor. O que fez o passeio se tornar mais divertido!

Impossível cruzar a ponte sem se molhar!
A ponte tem 180 m de altura

Arco-íris estão em todos os lugares

Fica difícil tirar foto com tanta água

Victoria Falls ao fundo. Meu pai, minha mãe e eu

É impressionante!

Victoria Falls, eu, meu pai e minha mãe

Ao sair passamos na feirinha que fica em frente das Cataratas para comprar lembranças. Rick, o gerente do Stanley Safari Lodge já havia nos avisado: "Aqui no hotel nós temos uma lojinha, mas os preços são fixos, na feira das cataratas você pode negociar. E é esperado que você negocie! Eles começam com um preço muito alto, quando esse preço chegar a 1/3 do perço inicial você estará fazendo um bom negócio." As esculturas são muito bem feitas, mas os vendedores tentarão passar as piores pra você. Eles chegam colocando as coisas na sua mão e se você não disser nada eles já vão embrulhando. Um bom negociante pode chegar a ter um desconto de até 80%, mas é preciso ter nervos de aço!

Feirinha das Cataratas

sexta-feira, 5 de março de 2010

África Selvagem: Capítulo 17

Foto de Sérgio Paschoal

Capítulo 17: Stanley Safari Lodge, um conceito diferente de hospedagem

Cruzamos a fronteira deixando a belíssima Botswana com o desejo de um dia retornar. Estávamos na Zâmbia para ver as Victoria Falls! Ficamos no Stanley Safari Lodge e o conceito de hospedagem é totalmente diferente de tudo que eu já havia visto antes. Cada quarto é único, construído e decorado de uma maneira diferente. No entanto, todos possuem uma coisa em comum: Uma varanda com uma linda vista do Rio Zimbabue e do Spray das Victoria Falls! E o mais incrível de tudo: não há parede nenhuma separando sua cama dessa visão maravilhosa! Pra melhorar as coisas você decide o horário e o local das refeições! E a comida é excelente! A piscina é fantástica além de ter a mesma vista dos quartos tem uma queda para simular as cataratas! Toda a equipe é muito prestativa e amigável e você se sente em casa por lá!

Meu Quarto

Vista da minha cama
(não existe parede)

Banheira

Visão da varanda do quarto

Café da manhã no quarto

Jantar ao por do sol
Foto de Sérgio Paschoal

quinta-feira, 4 de março de 2010

África Selvagem: Capítulo 16

Capítulo 16: A magia volta à Chobe

Acordei sentindo falta dos acampamentos! Eles dão um charme especial para a viagem, o atendimento é personalizado e os guias são excelentes! Completamente diferente de Chobe Safari Lodge com seus 80 quartos, inúmeros carros lotando as estradas do Parque e seus péssimos guias! Ainda faríamos mais um safári, mas minhas expectativas eram muito baixas devido à nossa experiência passada. Infelizmente eu superestimei o passeio, porque nosso "guia" era ainda pior do que o anterior! Tudo bem que Chobe é famoso por ter a maior concentração de elefantes do mundo, mas não é preciso parar para cada um deles! O que me deixava mais nervoso era que nosso "guia" não parava para ave nenhuma, nem para as que estavam do lado da estrada! E sempre que eu pedia para ele parar a parada não demorava mais do que um falcão peregrino em seu mergulho mortal! É preciso de muito treinamento até essas pessoas virarem guias de verdade!


Babuíno (Papio ursinus)

Babuíno (Papio ursinus)

Puku (Kobus vardoni)

Elefante bem próximo dos meus pais

À tarde faríamos um passeio de barco, mas aquela atmosfera CVC já estava me irritando muito! Não via a hora de ir para Zâmbia e ver as Victoria Falls.

Barco
Foto de Sérgio Paschoal

No entanto, o passeio de de barco foi surpreendente! E de um modo muito bom! A magia estava de volta! Nosso Guia, Tom era excelente! Parava por um bom tempo para todos os bichos, inclusive para as aves, e ainda passava informações interessantes sobre cada animal.

Hipopótamo (Hippopotamus amphibius)

Crocodilo
Foto de Sérgio Paschoal

Elefantes no rio

African Fish Eagle (Haliaeetus vocifer)

Perguntei a Tom qual era nossa chance de ver uma manada de Búfalos e ele respondeu: "Agora tem muita água por aqui e o capim está muito alto... Ver uma manada de Búfalos seria muita sorte! 10 minutos depois ele parou ao meu lado e disse: "O que é aquilo ali na frente?"

Búfalos (Syncerus caffer)

Peguei o binóculo e lá estavam eles! Uma mandada de Búfalo tomando conta da ilha à nossa frente! Chobe finalmente me deixava feliz!