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segunda-feira, 1 de março de 2010

África Selvagem: Capítulo 13

Capítulo 13: Em busca dos últimos Cachorros Selvagens

A população de Cachorros Selvagens já chegou a mais ou menos 500.000 indivíduos e eles eram encontrados por toda a África. Hoje o cenário é muito diferente. Eles foram dizimados pela perda de habitat e pelos criadores de gado que os matam, até hoje, para protegerem seus rebanhos! Hoje eles são uns dos animais mais ameaçados de extinção no mundo restando apenas 5.000 indivíduos aproximadamente. Existem apenas 3 grandes populações com centenas de indivíduos, duas na Tanzânia e uma no norte de Botswana! Assim, Linyanti, no norte de Botswana, era a nossa grande chance de encontrar esses animais tão raros!
Obs: Hoje existem projetos para a conservação desses animais como o Painted Dog Research Project e o Botswana Predator Conservation Trust (http://www.bpctrust.org/index.html).

Após o café da manhã em volta da fogueira saímos para o Safári. Vundi era um guia excelente, ele mostrava o animal, deixava a gente observar os detalhes e sempre tinha alguma informação interessante sobre o bicho que estávamos vendo.
Saindo para o Safári, com Girafas no meio da estrada
Foto de Fábio Paschoal

Southern Yellow-billed Hornbill
(Tockus leucomelas)

Black-collared Barbet
(Lybius torquatus)

Red-billed Hornbill
(Tockus erythrorhynchus)

Lilac-breasted Roller
(Coracias caudatus)

Hiena
(Crocuta crocuta)

Eu tirando foto do Elefante
Foto de Sérgio Paschoal

O dia estava ótimo e já havíamos visto muita coisa. De repente o rádio chama! "Vundi! Vundi! Tá na escuta?" Vundi respondeu o rádio... Sempre que o rádio tocava era porque algo interessante estava acontecendo! Sabia que havia mais um grupo andando no parque e aquele chamado deveria ser algo importante, mas toda a conversa foi em Setswana e não havia modo de saber o que eles estavam falando. Vundi desligou o rádio e disse Eles acharam os Cachorros Selvagens! Se segurem porque nós vamos até lá!" Saímos em disparada! O maior problema não eram os galhos das árvores, mas o capim! O nome dado ao capim é muito propício: Spear grass (Capim lança)! E nós sentimos na pele, literalmente porque ele é chamado assim: Como estávamos rápido as sementes do capim fincavam em nós como se fossem lanças! Mas valia a pena passar por isso pelos Cachorros Selvagens! O tempo passava, a tensão aumentava e o encontro se aproximava! Avistamos o outro carro de longe! Só que a grama estava alta e era impossível ver qualquer coisa que estivesse no chão! Mas ao fazer a curva...

Cachorros selvagens
(Lycaon pictus)

Cachorro selvagem com a cara vermelha de sangue
(Lycaon pictus)

Cachorro selvagem
(Lycaon pictus)

Cachorro selvagem
(Lycaon pictus)

O pessoal que nos chamou pelo rádio

Lá Estavam eles! Os Cachorros selvagens, uma das espécies mais ameaçadas do mundo! Hoje eles estão protegidos em Botswana! Chegamos logo após o café da manhã, eles lambiam os ossos do que um dia deve ter sido um Impala! Suas caras estavam cheias de sangue e seus estômagos cheios de comida! Era hora da Sesta! Foi Fantástico!

Cachorro selvagem
(Lycaon pictus)

Cachorro selvagem
(Lycaon pictus)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

África Selvagem: Capítulo 12

Capítulo 12: Linyanti, o mosaico de paisagens.

Linyanti é impressionante! A região desértica muda completamente por conta da proximidade com o rio criando um mosaico de paisagens! O lado da Namíbia é caracterizado por canais bordeados por papyrus formando pântanos parecidos com a região do delta do Okavango. No lado de Botswana o pântano da lugar a lagoas e rios permanentes com florestas ribeirinhas abrindo em grandes planícies no interior da savana africana.

Mosaico de paisagens em Linyanti
(Abaixo do rio a Namíbia, acima está Botswana)
Foto de Fábio Paschoal

Ao chegar na pista de pouso nossos guias Vundi e James estavam nos esperando com o carro de safári.

Nossos guias Vundi e James
Foto de Sérgio Paschoal

Antes mesmo de chegarmos ao acampamento um bicho maravilhoso nos deu as boas vindas:

Southern Carmaine Bee-eater
(Merops nubicoides)

Situado a beira de uma lagoa perene freqüentada por elefantes e hipopótamos Lagoon Camp possui uma vista belíssima que pode ser apreciada do deck sob as sombras de marulas e ébanos centenários. AS Super tendas são armadas sobre palafitas e todas possuem uma varanda com vista para o rio Kwando! É maravilhoso!


Entrada do acampamento
(era impossível parar para uma foto, sempre tinha um bicho novo pra ver)
Foto de Heico Mitsuka

Fundos do acampamento
foto de Fábio Paschoal

Super tenda
Foto de Sérgio Paschoal

chegando nas super tendas
Foto de Sérgio Paschoal

Super tenda
Foto de Fábio Paschoal

Banheiro da Supertenda
Foto de Fábio Paschoal

Banheiro da Supertenda
Foto de Fábio Paschoal

Chuveiro do lado de fora da super tenda
Foto de Fábio Paschoal

Minha mãe na varanda da Super tenda
Foto de Sérgio Paschoal
Super tendas a beira do rio Kwando
Foto de Sérgio Paschoal

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

África Selvagem: Capítulo 11

Capítulo 11: A busca pelo Rei

Saindo cedo rastreando os Leões
Foto de Sérgio Paschoal

Pelo rádio tivemos a informação de que os Leões haviam sido vistos no norte da reserva e nós saímos bem cedo em busca deles! Baruti indicava o caminho e Keone dirigia o carro o mais rápido possível! Tínhamos que nos esquivar constantemente dos galhos para não sermos atingidos na cabeça! O carro passava por cima dos galhos e das pedras quase nos jogando para fora de nossos assentos! Algumas vezes parávamos para Baruti procurar os rastros... E ele logo nos colocava na trilha certa! Mas chegou um ponto onde os rastros não eram mais tão claros... O solo estava duro e dificultava a formação de pegadas, parecia que havíamos chegado ao fim...

Baruti e Keone rastreando os leões
Foto de Sérgio Paschoal

Foi aí que escutamos um rugido! Baruti olhou pra Keone e os dois saíram correndo para o carro! Estávamos na trilha certa! Saímos em disparada! e fizemos uma série de caminhos até que o carro parou! Mas essa não era uma parada qualquer!

Carro quebrado
Foto de Sérgio Paschoal

O carro havia quebrado! A mangueira do carburador estava rompida causando aquecimento do motor! Keone pegou o rádio: "Kwara! Kwara! Tá na escuta?" Enquanto isso Baruti tirava a mesa para armar o lanche, mas naquele exato momento um rugido ecoou pela savana! Os Leões estavam muito próximos! Baruti recolheu a mesa e disse que era melhor nós ficarmos próximos do carro! "Kwara! Kwara! Tá na escuta!" Não houve resposta! Na nossa ânsia de ver os felinos acabamos saindo da área de alcance do rádio! Keone olhou para mim e disse: "Vai ficar tudo bem!" Mas não era o carro quebrado, a proximidade com os leões ou a falha de sinal de rádio que me deixaram preocupado... O olhar de Keone não deixava dúvida: Ele estava com medo! E aquilo me assustou! Quando o guia fica com medo, pode ter certeza, o Perigo é real!
Só restava uma opção: consertar o carro e voltar para a área de alcance do rádio. Fizemos uma gambiarra arrancamos o cinto de segurança e o amarramos na mangueira do carburador tapando o buraco... pegamos toda a água que restava e colocamos no carro! Andamos por cinco minutos e tivemos que parar novamente! "Kwara! Kwara! Tá na escuta?" após alguns segundos de tensão: "positivo na escuta!" Ouvir aquelas palavras foi um alívio!

Trocando de carro
Foto de Sérgio Paschoal

Foi frustrante ter que esperar duas horas até o outro carro chegar ao invés de continuar a rastrear os Leões, mas foi reconfortante saber que estávamos seguros novamente.
Agora era hora de arrumar as malas, iríamos para Lagoon Camp.

África Selvagem: Capítulo 10

Capítulo 10: O animal mais rápido da terra no seu momento mais lento

Logo após o passeio de mekoro passaram um rádio dizendo que os Guepardos estavam por perto! Pegamos o carro e saímos em disparada na trilha do animal mais rápido da terra! Eles podem chegar a mais de 110 Km/h! Quando chegamos vimos os 3 irmãos que havia fotografado no dia anterior, mas eles estavam bem lentos... Estavam dormindo! Levantaram só pra checar o que estava acontecendo e achar um lugar na sombra! Foi fantástico!


Guepardo (Acinonyx jubatus)


Guepardos (Acinonyx jubatus)


Guepardos (Acinonyx jubatus)


Guepardo (Acinonyx jubatus)


Guepardo (Acinonyx jubatus)


Guepardo (Acinonyx jubatus)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

África Selvagem: Capítulo 9

Capítulo 9: Cara a cara com o animal mais perigoso da África

Acordamos um pouco mais tarde para o passeio de mekoro (canoa usada pelos bushmen). Como os Hipopótamos são muito perigosos é preciso esperar que todos estejam na água antes de entrar... Tomamos o café tranquilamente em volta da fogueira

Café da manhã em volta da fogueira
Foto de Sérgio Paschoal

Companheiro de café da manhã
Foto de Sérgio Paschoal

Greater blue-eared Satarling
(Lamprotornis chalybaeus)

A idéia de entrar em uma lagoa cheia de Hipopótamos era um pouco amedrontadora. O Hipopótamo é o animal que mais mata gente na África e as mekoros eram bem pequenas comparadas a um bicho que pode chegar a 3 toneladas! Para minha "sorte" eu era o mais jovem entre todos os hóspedes, e por isso fui escolhido para ficar com o guia que entraria primeiro...

Eu e minha mãe ouvindo atentamente as instruções de Keone
Foto de Sérgio Paschoal

Entrando na lagoa cheia de hipopótamos
Foto de Sérgio Paschoal

O rifle era necessário para nossa proteção, mas indicava que era perigoso e acrescentava uma tensão ao passeio. Entramos na lagoa e os hipopótamos estavam aglomerados no meio, só era possível ver as orelhas, olhos o focinho dos animais

Hipopótamos no meio da lagoa
Foto de Fábio Paschoal

Mas ao lado desse grupo havia uma mãe que tinha se afastado junto com o filhote e eles estavam em frente à passagem para as canoas! Ambos estavam tranqüilos, submergidos como os outros, mas foi só chegar mais perto...

Mãe Hipopótamo em postura de intimidação

A mãe se levantou rapidamente colocando o tronco para fora da água, deixando claro que estávamos próximos demais! E lá estava eu, sentado em uma canoa instável, cara a cara com o animal mais perigoso da África, na situação mais perigosa que existe: Uma mãe protegendo o filhote! Tirei o que poderia ser a minha última foto! Keone falava em Setswana com os outros guias e gritava na direção do Hipopótamo! Foi só um aviso! A mãe se afastou com o filhote e tudo ficou calmo na lagoa.