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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Pantanal: Capítulo 2

Capítulo 2: Olha o Passarinho

É fácil entender porque tantas pessoas são amantes das aves, elas estão sempre ativas, são belas e estão por toda a parte. É impossível vir ao Pantanal e não se encantar com a variedade de aves que se encontra por aqui. Onde quer que você olhe, lá está uma nova espécie que você nunca havia visto antes. Cada uma com uma plumagem diferente, com cores tão vibrantes que as vezes nos fazem indagar se são realmente naturais. 

Escolha uma cor: Pode ser preto como o anu preto, branco como a garça branca, cinza como a curicaca pantaneira, marrom como a coruja buraqueira, verde como o papagaio verdadeiro, amarelo como o  canarinho da terra, laranja como o joão pinto, vermelho como o verão, azul como a arara azul ou multicoloridas como o araçari castanho. Para cada cor que você escolher terá uma ave correspondente.

Anus Pretos/ Smooth billed Ani
(Crotophaga ani)

Garça Branca/ Great Eagret
(Ardea alba)

Curicaca Pantaneira/ Plumbeous Ibis
(Theristicus caerulescens)

Coruja Buraqueira/ Burrowing Owl
(Athene cunicularia)


Papagaio Verdadeiro/ Blue fronted Parrot
(Amazona aestiva)

Canarinho da Terra/ Saffron Finch
(Sicalis flaveola)

 João Pinto/Orange-backed Trouptcherial 
(Icterus croconotus)

 Verão/ Vermilion Flycatcher 
(Pyrocephalus rubinus)

 Arara Azul/ Hyacinth Macaw 
(Anodorhynchus hyacinthinus)

Araçari Castanho/ Chestnut-eared Aracari
(Pteroglossus castanotis)

Os penteados são os mais diversos: podem ter cabelo encaracolado como o mutum de penacho, rabo de cavalo como a garça real, moicano como o pica pau velho ou podem ser carecas como o urubu rei. Algumas preferem investir na maquiagem, com direito a cílios postiços, como a seriema.

  Mutum de Penacho/ Bare-faced Curassow 
(Crax fasciolata)

Garça Real/Capped Heron 
(Pilherodius pileatus)

Pica Pau Velho/ Pale-crested Woodpecker
(Celeus lugubris)

Urubu Rei/ King Vulture
(Sarcoramphus papa)

Seriema/ Red-legged Seriema
(Cariama cristata)

Durante a evolução seus bicos se adaptaram e se tornaram ferramentas perfeitas para conseguir o alimento que precisam. Podem ser robustos para quebrar sementes, como o das araras; finos e delicados para pegar insetos, como o das arirambas; afiados para cortar carne, como o dos gaviões; em forma de lança para pescar, como o dos biguatingas; ou até em forma de colher como o do colhereiro, que o usa para procurar micro-crustáceos nas poças. Outros desenvolveram bicos com várias funções, como o Tucano, que além de se alimentar de frutas usa seu longo bico para pegar ovos e filhotes de outros pássaros.

Arara Canindé/ Blue-and-Yellow Macaw 
(Ara ararauna)

Arirambinha bico de agulha/Rufous-tailed Jacamar
(Galbula ruficauda)

 Gavião Carijó/ Roadside Hawk 
(Buteo magnirostris)

Biguatinga/ Anhinga 
(Anhinga anhinga)

Colhereiro/ Roseate Spoonbill, 
(Platalea ajaja)

Tucano Toco/ Toco Toucan 
(Ramphastos toco)

O momento mais crítico na vida de uma ave é o período em que ela está no ninho. Assim  elas desenvolveram estratégias para proteger seus filhotes. O joão de barro constrói um ninho com uma entrada em L e coloca seu ovo dentro de uma câmara protegida do bico do Tucano que não pode fazer a curva. 

João de Barro/ Rufous Hornero or Oven Bird 
(Furnarius rufus)

O bico de prata coleta fibras de palmeira e as costura formando um ninho em forma de pêndulo deixando um pequeno buraco como entrada. Quando o adulto entra no ninho o peso dele faz a entrada fechar. O japuíra constrói um ninho com a mesma estrutura, mas utiliza fungos com espessura de fios de cabelos, que coleta dos troncos das árvores. 

Bico de prata construindo o ninho/ Solitary Black Cacique 
(Cacicus solitarius)

Japuíra voltando pro ninho com larva/ Golden-winged Cacique 
(Cacicus chrysopterus)

Os pica paus fazem buracos em árvores ou cupins para botarem seus ovos e ficarem protegidos, enquanto aves maiores como papagaios e araras aproveitam esses buracos e os aumentam para poderem utilizá-los com o mesmo fim. 

Birro/White Woodpecker
(Melanerpes candidus)

Papagaio Verdadeiro/ Blue-fronted Parrot 
(Amazona aestiva)

Algumas aves preferem fazer um ninho de gravetos em uma grande árvore, como o tuiuiú. Enquanto um dos pais sai para buscar água e comida para os filhotes o outro fica no ninho para protege-los contra predadores. Já o mãe da lua confia na camuflagem. Coloca um ovo em um galho e fica sentado, imóvel, fingindo que é um galho quebrado, até o filhote nascer. 

Tuiuiú no ninho/ Jabiru Stork on the nest
(Jabiru mycteria)

Mãe da Lua/ Great Potoo 
(Nyctibius grandis)

Mas existem aves que não constroem ninho nenhum. O quero quero coloca o ovo no chão e ataca qualquer coisa que chegue perto dele. O joão pinto por sua vez prefere utilizar o ninho feito por outros pássaros. Já a arara azul, que enfrenta dificuldades para encontrar uma cavidade natural, conta com a ajuda do Projeto Arara Azul (http://www.projetoararaazul.org.br), que instala ninhos artificiais nas árvores, aumentando as chances de sobrevivência da espécie. Graças aos esforços do Projeto é fácil avistarmos araras azuis no Pantanal.

Quero Quero (Vanellus chilensis) atacando Carcará (Caracara plancus) 
Southern Lapwing  attacking Southern Caracara



João Pinto voltando pro ninho que roubou do Bico de Prata
Orange-backed Troupial (Icterus croconotus)

 
 Arara Azul no ninho artificial/ Hyacinth Macaw 
(Anodorhynchus hyacinthinus)

As aves conquistaram a água, a terra e o ar. Podem nadar como o ananaí, mergulhar como o biguatinga, andar como a ema, escalar como o pica pau de topete vermelho, podem até cavalgar como a maria cavaleira e claro, elas podem voar. 

Ananaí/ Brazilian Teal 
(Amazonetta brasiliensis)

Biguatinga/ Anhinga
(Anhinga anhinga)

Ema com filhotes/ Greater Rhea
(Rhea americana)

Pica Pau de Topete Vermelho/ Crimson-crested Woodpecker 
(Campephilus melanoleucos) 

Maria Cavaleira/ Cattle Tyrant
(Machetornis rixosa)

Gavião Fumaça/ Savanna Hawk 
(Buteogallus meridionalis)

Elas conquistaram todos os cantos do Planeta. Sua beleza, diversidade e onipresença produziu um exército de entusiastas preparados para dedicar o seu tempo e enfrentar as mais difíceis condições para observá-las na Natureza. Essas pessoas podem ser uma grande ajuda na luta para que nossos céus continuem sendo coloridos pela beleza das aves.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Pantanal: Capítulo 1

Capítulo 1:  A Essência do Pantanal

O Rio Paraguai nasce na chapada dos Parecis e corta a bacia do Pantanal onde transborda nos meses de cheia para formar a maior planície alagável do Planeta. As árvores que formam um imenso tapete verde que se perde no horizonte. 


Pantanal

Os campos abertos aqui são obras da Natureza e não do homem. Formados pelo regime das águas que inundam as partes mais baixas impedindo o estabelecimento de árvores, que ficam restritas as partes mais altas formando os capões e as florestas de cordilheira que cortam a planície fornecendo abrigo para os animais. Os lagos, aqui chamados de Baías, compõem o cenário perfeito e quando a água está parada fica difícil dizer onde a Terra acaba e o Céu começa. 

Planície cortada por capões e florestas de cordilheira

Espelho d'água

Roda de Tereré

Arara Azul/ Hyacinth Macaw 
(Anodorhynchus hyacinthinus)

Tamanduá Bandeira/ Giant Anteater
(Myrmecophaga tridactyla)

                Onça Pintada/ Jaguar (Panthera Onca)

O povo aqui é muito simples e muito contido, mas todos têm um coração gigante e uma sabedoria espantosa construída pelo dia a dia da vida pantaneira. A vida pulsa por todos os lados, a cada lampejo de olhar a fauna e a flora mostram do que são capazes e é impossível não ficar emocionado com tanta beleza vinda de todos os lados. O Pantanal é a casa da Arara Azul, do Tamanduá Bandeira e da Onça Pintada! 
Aqui não existe nenhum dia igual ao outro, sempre se aprende algo novo e diferente. Essa é a essência do Pantanal.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Pantanal: Introdução

Introdução


Foi no ano de 2008 que tudo começou. Estava formado  e desesperado para arrumar um emprego, qualquer emprego... Mandei currículo para todos os lugares possíveis e imagináveis. Passei por entrevistas, dinâmicas de grupo e todo aquele bla bla bla que fazem você passar antes de arranjar um trabalho. Nada dava certo... Eu era um biólogo que não queria dar aulas nem fazer pesquisas e os departamentos de RH sempre me achavam uma incógnita...  

Foi então que recebi um telefonema do Refúgio Ecológico Caiman (http://caiman.com.br/) dizendo que havia sido contratado! Uma semana depois estava no Pantanal, começando o treinamento para ser guia naturalista. Esse trabalho mudou minha visão do mundo e se tornou a minha grande paixão. E essa é a história de como isso aconteceu.

Entrada da Caiman

Recepção

Baiazinha

Cordilheira

Equipe da Cordilheira

terça-feira, 26 de julho de 2011

Amazônia Selvagem

Fly Buterflies (Voem Borboletas)

Não existe inseto no planeta que exerça um fascínio tão grande como as borboletas. Uma variedade de cores, formas e hábitos extraordinária!!! As mariposas estão mais associadas à noite, e muitas pessoas não gostam delas... Pouca gente sabe, mas existem mariposas diurnas, outras que imitam borboletas e outras tão coloridas como as próprias borboletas. Ambas saem dos ovos como lagartas e sofrem uma metamorfose completa para se transformarem em seres alados que pintam o dia e a noite da Amazônia. 

Deixo abaixo uma pequena amostra das 1800 espécies de borboletas e das 10.000 mariposas encontradas no Cristalino.

Mariposa Atlas/ Atlas Moth
A mais bonita que eu vi na vida

Mariposa rabo de fogo (nome criado por mim)


Mariposa espinho de rosa (nome criado por mim)

Mariposa tomando banho de sol

Bruxa Branca, a maior mariposa do mundo (25cm)
White witch

Oitenta e Oito (Eighty Eight)

Ponta escarlate (nome criado por mim)/ Fire tip Skipper

Asa de Tigre (Tiger wing)

Asa verde/ Geen long wing

Mariposa Urânia (diurna)/ Urania Moth

Asa de cristal/ Piera Satyr

Metalmark


Olho de Coruja/ Owl Buterffly

Orion

Estaladeira/ Cracker


Machos buscando por minerais para produzir o esperma

Morpho azul/ Blue Morpho

Morpho Azul/ Blue Morpho

Lagarta de fogo (nome criado por mim) 
mas é a Morpho Azul


Lagarta porco espinho (nome criado por mim)

Lagarta favo de mel (nome criado por mim)

Lagarta coral (nome criado por mim)

Lagarta céu estrelado (nome criado por mim)

Lagarta olho de fogo (nome criado por mim)

Lagarta de pau (nome criado por mim)

Lagarta chocolate (nome criado por mim)

Lagarta verde e gorda (nome criado por mim)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Bicho do dia

Carcará/ Southern Caracara
(Caracara plancus)

O Carcara é da família dos falcões, mas devido a diferenças na anatomia e no comportamento alguns autores defendem que eles deveriam ser separados em uma outra família. É uma ave oportunista e ao contrário do que diz a música de João do Vale: "Carcará, pega, mata e come." o Cárcará prefere se alimentar de carniça. Mas também caça pequenos insetos e vertebrados e frequentemente pousa perto de Tatus quando eles estão cavando um buraco. O Carcará espera por algum animal que se mova assustado com o Tatu. Quando o bicho se move o Carcará o enxerga  e o pega. Raramente caça ativamente como os falcões, mas pega aves como na foto acima que tirei no Refúgio Ecológico Caiman .

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Bicho da noite

Coral Aquática/ Aquatic Coral Snake
Coral verdadeira
(Micrurus surinamensis)


Coral Falsa/ Common false Coral Snake
(Erythrolanprus aesculapii)

A Cobra coral possui uma coloração aposemática. Essa coloração tem a função contrária a da camuflagem. A Coral avisa aos predadores que ela é perigosa. As cores Vermelho, preto e branco ou amarelo juntas são reconhecidos pelos animais como perigosas. Assim a cobra guarda seu veneno para suas presas. Essas cores foram adotadas por cobras não peçonhentas (que não inoculam veneno) como uma maneira de sobrevivência. Tais cobras enganam os predadores que pensam que elas são perigosas, mas na verdade não são. Por serem praticamente idênticas às Cobras Corais são chamadas de corais falsas.
A Cobra Coral não é agressiva e não da bote, só apresenta perigo se for manuseada. Sua presa de veneno é fixa na parte da frente da boca e por isso ela morde ao invés de picar. Se incomodada esconde a cabeça junto ao corpo e levanta e enrola a cauda fazendo com que ela se pareça com a cabeça. Isso tira a atenção do predador e dá uma chance da coral morder enquanto seu agressor se distrai com a cauda.
No Brasil todas as cobras peçonhentas possuem um orifício entre a narina e a boca. Esse orifício é denominado de fosseta loreal e tem a função de perceber o calor. Com isso a serpente consegue caçar sem problemas à noite. A única cobra brasileira que foge a essa regra é a Cobra Coral. Assim se você se deparar com uma cobra com as cores vermelho, preto e branco ou amarelo fique longe dela e você estará longe de problemas.

Avistadas na clareira do Hotel de Selva Cristalino

domingo, 5 de junho de 2011

Bicho do dia

Jibóia/ Red tail boa 
(Boa constrictur constrictur)

A Jibóia é uma cobra de emboscada. Fica imóvel em algum lugar a espreita de alguma presa em potencial. Quando a vítima passa ela da o bote, cravando seus dentes afiados, e começa um abraço mortal. A cada expiração da presa a Jibóia aperta mais, até o ponto em que o coração da vítima para de bater. Então começa a ingerir sua refeição por inteiro. 
As Jibóias são cobras generalistas e se alimentam de qualquer animal que são capazes de agarrar, incluindo aves, macacos e catetos. A Jibóia não possui veneno, mas uma mordida pode causar infecção, pois ela carrega muitas bactérias na boca... São cobras muito agressivas quando se sentem ameaçadas, porém se não forem incomodadas não apresentam nenhum perigo para nós.

Avistada na clareira do Hotel de Selva Cristalino